terça-feira, 27 de maio de 2008

Resenha filmográfica: “Arquitetura de Destruição”. Diretor: Peter Cohen. País: Suécia. Ano de produção: 1992.

O documentário de Peter Cohen é considerado um clássico no que se refere ao nazismo. No entanto, não se trata de mais um daqueles estudos puramente históricos e factuais do regime, e sim, uma busca de explicação do fenômeno alemão por meio da “estética nazista”, da arte e da arquitetura, nos planos e no ideário de Adolf Hitler. O que seria uma única crítica ao documentário não o é, pois o próprio diretor sueco especifica seu recorte de discussão. Desta forma, o hitlerismo alia estética à política como meio de motivação e impulsionamento de um ideal.

A arte era importante ao nazismo, mas somente a “boa”, pois a má era considerada depravação. Para os idéias de Hitler, a arte era a representação da superioridade da raça ariana, em contraposição às demais. A arte moderna foi apresentada como uma degeneração, fruto de uma inferioridade, que só serviria como exemplo para se mostrar como tais obras distorciam o valor humano e na verdade representavam as deformações genéticas existentes na sociedade. Peter Cohen é fascinante nessa parte do documentário, ao mostrar imagens de exposições organizadas pelo regime fascista, onde se comparavam as obras consideradas de valor à arte depravada. O que é importante ressaltar, e que está intrínseco nesta parte do documentário de Cohen, é o papel das exposições, museus e outros meios de demonstrações culturais, como uma forma de gerar tendências, propondo ideologias, respostas estas aos anseios sociais de uma geração específica, marcada pela derrota da Primeira Guerra Mundial e buscando reconquistar o prestígio de grande nação.

O filme é rico em imagens de planos mirabolantes de Adolf Hitler em seus projetos arquitetônicos. O führer colocava sobre arquitetos e artistas o fardo de construir uma nova Alemanha. Recorreu também a médicos, para que montassem teorias racistas e aplicassem monstruosos programas de eutanásia, eliminando assim portadores de deficiências físicas e mentais, contribuindo assim com o esforço de limpar o Terceiro Reich da “sujeira biológica”. O afiado valor estético nazista alia medicina à arte, e o diretor sueco explora isso muito bem ao longo do documentário pelo show de imagens que apresenta ao espectador.

Enfim, Peter Cohen apresenta Hitler com uma profundidade muito maior do que é mostrada em muitos livros ou filmes de história. O documentário foca bem isso ao mostrar o líder nazista construindo seu exército nos mínimos detalhes, desde a criação de uniformes até a organização de desfiles militares e demais apresentações do exército alemão em público. Há um projeto grandioso para o Reich, e Peter Cohen introduz esse pensamento nazista na percepção de quem assiste ao filme, mostrando como o ideal nacional-socialista é fomentado em seus mais íntimos aspectos. A dimensão absoluta que Hitler queria dar à sua megalomania destrói muitos conceitos morais existentes, o principal, que esse “embelezamento” só poderia acontecer através da destruição, o que chega a ser um paradoxo. O diretor é feliz na escolha de imagens, e até mesmo no seu discurso, tirando assim uma imagem de “lunático” ou “louco” que muitos atribuem a Hitler, enfatizando seu lado pensante e meticulosamente organizado, atribuindo assim um caráter altamente racional ao regime nazista em si.

3 comentários:

Mah Ditame disse...

Sua resenha esta muito boa!
Alias ira me ajudar a "bolar" e complementar o meu trabalho sobre o filme para a faculdade...Obrigadaa...

Bjo

JeFeRsOn disse...

O Diretor tinha que se aprofundar mais no ideal de Hitlher, apesar de não acharmos um, mas o vídeo foi bem claro em certos acontecimentos como a câmara de gás, mas deixou a desejar em algo interessante sobre o projeto da eutanásia que depois esse programa acabou virando uma matança de judeus, deficientes e políticos.

Rogerio Floripa disse...

Baixar o Documentário - Arquitetura da Destruição - http://mcaf.ee/anvd5